menu

Topo
Rico Vasconcelos

Rico Vasconcelos

Categorias

Histórico

Vive com HIV e vai fazer uma viagem internacional? Veja dicas importantes

Rico Vasconcelos

11/01/2019 04h00

Crédito: iStock

Com a chegada de período de férias, muita gente aproveita para realizar viagens para o exterior. Além dos cuidados habituais nesse tipo de viagem, se você vive com HIV é preciso estar atento a mais alguns detalhes. Mas não há necessidade de paranoia. Veja a seguir um resumo do que realmente importa sobre esse assunto.

Em primeiro lugar, é preciso entender que infelizmente você pode não ser bem-vindo no país que pretende visitar. Desde a década de 80, existem países que, de maneira equivocada, acreditam que se bloquearem a entrada de pessoas que vivem com HIV, estarão controlando essa epidemia.

Os Estados Unidos, por exemplo, até recentemente faziam parte dessa lista. Foi o presidente Obama Barack que, em janeiro de 2010, suspendeu a proibição.

A boa notícia é que, nos últimos anos, muitos países têm também derrubado as restrições e hoje são bem poucos os países que ainda bloqueiam a entrada desses visitantes.

A maior parte das restrições ainda em vigor são aplicáveis apenas para pessoas que pretendem ficar por períodos mais longos ou mesmo se mudar de vez para o país, mantendo livre o trânsito para turistas. Muitos desses países justificam a determinação com o gasto que o imigrante traria para o governo com o seu tratamento antirretroviral.

Assim, antes de comprar qualquer passagem, uma boa dica é consultar o www.hivtravel.org, um portal onde é possível encontrar informações atualizadas sobre o país que pretende visitar. Essas regras e restrições estão sempre mudando, por isso fique atento e por dentro. E se ficou com alguma dúvida, se informe na embaixada do país ou através dos contatos informados no site.

O Brasil sempre foi um país que respeitou as pessoas que vivem com HIV e jamais teve qualquer restrição desse tipo.

Outro ponto que costuma levantar dúvidas em viagens para o exterior é a terapia antirretroviral. Uma vez que já é reconhecido em todo mundo que, uma vez iniciada, a medicação deve ser tomada continuamente e por toda a vida, se para um país o HIV não é uma restrição, a entrada com a medicação para o seu tratamento também não será. E mesmo a exigência da prescrição médica, existente em alguns destinos, raramente é cumprida.

Infelizmente imprevistos podem sempre acontecer. Com o extravio da sua bagagem, por exemplo, os frascos do seu antirretroviral podem acabar dando uma volta em outro país. Então, ter na bagagem de mão comprimidos da medicação suficientes para alguns dias, até que você e a mala extraviada se reencontrem, pode resolver o problema sem muito stress.

Numa situação mais extrema em que frascos de parte dos antirretrovirais tenham sido perdidos ou roubados, o melhor a se fazer é interromper todo o esquema e reiniciar assim que tiver todos os comprimidos disponíveis novamente. Tomar apenas parte dos comprimidos não é eficaz para manter o HIV controlado e pode ainda causar a seleção de vírus resistentes.

Por fim, a mudança do fuso horário não deve ser motivo de dor de cabeça em relação ao horário da tomada dos seus antirretrovirais. Um único dia de tomada atropelada seguido de retorno à adesão correta e regular não prejudica nenhum tratamento. Então, se os comprimidos eram tomados ao acordar no fuso brasileiro, basta tomar ao acordar do novo fuso que tudo continuará bem.

Viagens para o exterior são algumas das mais ricas experiências que uma pessoa pode fazer em sua vida. Não deixe que o HIV ou seu tratamento o impeçam de realizar sonhos como esse. Planeje bem sua viagem e não terá problemas relacionados a isso. Boa viagem.

Sobre o autor

Médico Infectologista formado pela Faculdade de Medicina da USP, Rico Vasconcelos trabalha e estuda, desde 2007, sobre tratamento e prevenção do HIV e outras ISTs. É atualmente coordenador do SEAP HIV, o ambulatório especializado em HIV do Hospital das Clínicas da FMUSP, e vem participando de importantes estudos brasileiros de PrEP, como o iPrEX, Projeto PrEP Brasil, HPTN083 (PrEP injetável) e na implementação da PrEP no SUS. Está terminando seu doutorado na FMUSP e participa no processo de formação acadêmica de alunos de graduação e médicos residentes no Hospital das Clínicas. Também atua na difusão de informações dentro da temática de HIV e ISTs no Brasil, desenvolvendo atividades com ONGs, portais de comunicação, agências de notícias, seminários de educação comunitária e onde mais existir alguém que tenha vida sexual ativa e possua interesse em discutir, sem paranoias, como torná-la mais saudável.

Sobre o blog

Com uma abordagem moderna e isenta de moralismo sobre HIV e ISTs, dois assuntos que tradicionalmente são soterrados por tabus e preconceitos, Rico Vasconcelos pretende discutir aqui, de maneira leve e acessível, o que há de mais atual e embasado cientificamente circulando pelo mundo. Afinal, saber o que realmente importa sobre esse tema é o que torna uma pessoa capaz de gerenciar sua própria vulnerabilidade ao longo da vida sexual. Podendo assim encontrar as melhores maneiras para manter qualidade no sexo, e minimizar os prejuízos físicos e psicológicos associados ao HIV e ISTs.