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Rico Vasconcelos

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O autoteste de HIV chegou ao SUS. Veja aqui como conseguir

Rico Vasconcelos

2008-02-20T19:04:00

08/02/2019 04h00

iStock

Na semana passada discutimos aqui como a tecnologia digital de comunicação está conseguindo ajudar a resolver os obstáculos existentes para o acesso às ferramentas de prevenção contra o HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

De fato, a desigualdade no acesso à prevenção, diagnóstico e tratamento do HIV é uma das principais causas para os ainda elevados números de casos novos da infecção e de mortes em decorrência da Aids no Brasil.

Pensando nisso, desde o início de 2019 o Ministério de Saúde brasileiro começou a distribuir gratuitamente kits de autotestagem de HIV em São Paulo, Rio de Janeiro e outras 12 cidades brasileiras.

O autoteste de HIV é um teste rápido em que o próprio usuário realiza todos os procedimentos e interpreta o resultado sem a necessidade de um profissional da saúde. Tem seu uso aprovado e recomendado pela Organização Mundial da Saúde desde 2016 e não tem como objetivo substituir as modalidades já existentes de testagem, mas de fazer o teste de HIV chegar aonde não estava chegando antes.

Segundo o Ministério da Saúde, esse é o piloto de um projeto maior que será ampliado para o resto do país ao longo do ano.

Os kits de autoteste de HIV já tinham o registro da ANVISA e eram vendidos em farmácias desde 2017, mas o custo médio de 70 reais a unidade não ajudou na popularidade da tecnologia. Para distribuir kits como esse, o fabricante precisa disponibilizar um serviço telefônico de acolhimento e orientação 24h por dia para aqueles que usarem o teste.

Por ser um teste de triagem, caso o autoteste tenha um resultado positivo, o usuário é orientado a buscar um serviço para fazer um teste tradicional confirmatório antes de se estabelecer o diagnóstico da infecção por HIV.

Em 2018, foi desenvolvido, com a liderança da Faculdade de Medicina da USP, o Projeto A Hora é Agora – SP, que avaliou qual seria a melhor logística de distribuição de kits de autotestagem para HIV. Agora, nesse projeto do Ministério da Saúde, além dos serviços de saúde especializados no atendimento do HIV, os kits de autoteste de HIV serão distribuídos em ONGs e diversos outros lugares de sociabilização das populações mais vulnerabilizadas para essa epidemia. Veja aqui todos os locais onde os kits podem ser retirados em São Paulo.

O projeto prevê também a distribuição de até 5 autotestes para cada usuário de PrEP em acompanhamento pelo SUS nas suas consultas de retorno. Dessa maneira espera-se promover a capilarização dos kits dentro das comunidades mais acometidas pelo HIV.

Quando se fala de saúde sexual e HIV, tudo começa com a realização do teste. O diagnóstico da infecção por HIV é sem dúvidas a melhor coisa que um indivíduo que vive com esse vírus pode fazer na sua vida. Só assim poderá se vincular ao acompanhamento médico, iniciar o tratamento antirretroviral e, com isso, impedir que essa infecção faça mal para sua saúde ou para a saúde das pessoas com quem se relaciona.

Agora, se o teste vier negativo, essa é a hora de conhecer e utilizar as estratégias de prevenção combinadas contra o HIV e outras ISTs, todas já disponíveis atualmente no SUS.

A partir daí, não importa mais o resultado do seu teste de HIV pois são todos iguais: aqueles vivendo com HIV que realizam seu tratamento e pessoas usando a prevenção combinada. Todos com saúde e sem risco de transmissão do vírus.

Com tanta tecnologia, não existe mais motivo para não se testar. Agora, só depende de você.

 

Sobre o autor

Médico Infectologista formado pela Faculdade de Medicina da USP, Rico Vasconcelos trabalha e estuda, desde 2007, sobre tratamento e prevenção do HIV e outras ISTs. É atualmente coordenador do SEAP HIV, o ambulatório especializado em HIV do Hospital das Clínicas da FMUSP, e vem participando de importantes estudos brasileiros de PrEP, como o iPrEX, Projeto PrEP Brasil, HPTN083 (PrEP injetável) e na implementação da PrEP no SUS. Está terminando seu doutorado na FMUSP e participa no processo de formação acadêmica de alunos de graduação e médicos residentes no Hospital das Clínicas. Também atua na difusão de informações dentro da temática de HIV e ISTs no Brasil, desenvolvendo atividades com ONGs, portais de comunicação, agências de notícias, seminários de educação comunitária e onde mais existir alguém que tenha vida sexual ativa e possua interesse em discutir, sem paranoias, como torná-la mais saudável.

Sobre o blog

Com uma abordagem moderna e isenta de moralismo sobre HIV e ISTs, dois assuntos que tradicionalmente são soterrados por tabus e preconceitos, Rico Vasconcelos pretende discutir aqui, de maneira leve e acessível, o que há de mais atual e embasado cientificamente circulando pelo mundo. Afinal, saber o que realmente importa sobre esse tema é o que torna uma pessoa capaz de gerenciar sua própria vulnerabilidade ao longo da vida sexual. Podendo assim encontrar as melhores maneiras para manter qualidade no sexo, e minimizar os prejuízos físicos e psicológicos associados ao HIV e ISTs.